Então, ela ganhou um brinquedo. Aqueles de montar, sabe? Mas, ela não queria fazer uma casinha normal, então, ela montou um castelo. Daqueles pequenos mas bonitos. Tinha um jardim na frente. Meteu-lhe um céu azul e pássaros voando por toda parte. Desenhou um cenário com árvores frutíferas e flores das mais diversas cores. O castelo era perfumado. Cheirava laranja com baunilha. Ela sonhava em ir morar lá. Em sua fantasiosa imaginação de criança, ela já o fazia. Brincava com os coelhos do lado de fora e agarrava o gato do lado de dentro. Trocava de roupas 4 vezes por dia. Uma vestimenta para cada ocasião. E como se sujava muito, sempre carregava uma troca extra. Colhia as margaridas para enfeitar a sala. Quando o sino tocava, era hora do almoço. Sorvete de chocolate com calda de morango, por favor! Ela pedia sem ordenar.
(...)
Então, certa vez, durante o jantar, sentada sozinha na gigante mesa da copa, ela já não tinha apetite. A noite tinha caído e com ela as estrelas penduradas no varal do céu. Debruçada sobre os talheres, olhou através da janela e pela primeira vez percebeu que estava só. De que adiantava um castelo todo para ela se não havia ninguém para compartilhar?
(...)
Ela era filha única, brincava sozinha... Em seu castelo não tinha príncipe.
Publicado em 14 de junho de 2008 às 12:24 por sarap
Cerveja amanhã! E muita! Prepare yourself.