Ela a cumprimentou como se fosse uma pessoa qualquer. A sala, meio escura, tinha umas luzes que incomodavam a visão. Da vez passada também tinha sido por causa da luz. Seria desculpa inconsciente de vontade de fugir, ou realmente deveria ter algum tipo de fotofobia. Mas o engraçado é que isso só acontecia nesses lugares. O fato é que se “faz sentido isso”, a pedra e os objetos espalhados no ambiente, indicavam um certo ar infantil. Mas ela sabia que ali não era lugar de crianças. Não crianças de verdade. Apenas crianças que só cresceram de tamanho. Talvez ela o fosse. Talvez seria o caso. O motivo de estar mais uma vez em um daqueles lugares. Ela a media. As mãos apertadas. O olhar aflito de quem busca uma saída. O coração disparado. A garganta seca a fazia engolir grosso e os pensamentos conturbados não a deixavam proferir nem sequer uma palavra. Mas o que dizer num momento desses? Ela procurava alguma frase que se encaixasse, mas nada. Aprendeu que melhor mesmo era ficar quieta a dizer alguma besteira apenas para fazer cerimônia. O silêncio já dizia tanto. E naquele momento ela só tinha ouvidos...
Publicado em 17 de maio de 2008 às 20:21 por sarap
Beijos