Faz tempo.
Já nem lembro mais,
Do gosto do beijo.
Seu cheiro,
Seu jeito,
Do toque da mão.
O olho no olho.
A certeza,
A reciprocidade,
A verdade,
O apego.
Tudo o que foi em vão.
A escolha foi sua.
Sem chances.
Sem retornos.
Sem perdão,
Ou compaixão.
(...)
A dúvida me corrói.
Sua indiferença também.
Seu pouco caso.
Seu descaso.
Nem ao menos uma chance?
Um estar “frente a frente” bastaria.
Mas você prefere fugir.
Se esconder na certeza do “caso perdido”,
morto, enterrado.
Entendo, claro.
Mas, sofro também.
Decidi, então, parar com isso.
Cortar o mal pela raiz.
Queimar aquela caixa.
Depois que se livrou dela, você se desligou.
Preciso me livrar daquilo.
Talvez ela seja a culpada.
O elo. O que mantém acesa a chama.
Lá está toda a história.
Contada passo a passo.
Nela consta, todo sentimento, todo movimento.
O que um dia fomos.
O que uma vez vivemos.
Agora ela está escondida em um lugar bem alto do guarda-roupa.
Para não ficar tão a mostra.
Para não ser mais vista.
Para não ser mais viva.
(...)
Viva, caixa, com as teias de aranhas.
Viva, caixa, no fundo de minh´alma.
Mas, por favor, não me atormente mais!
Publicado em 19 de fevereiro de 2008 às 22:32 por sarap